Brasileira do Atlético de Madrid é acusada de racismo em semifinal da Copa da Rainha
A atacante brasileira Gio Garbelini, do Atlético de Madrid, foi acusada de racismo durante a semifinal da Copa da Rainha, em partida contra o Tenerife, na última terça-feira, no Estádio de Tenerife, na Espanha. O episódio levou a arbitragem a acionar o protocolo antirracismo, com registro formal na súmula da partida.
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A denúncia foi feita pela goleira Noelia Ramos, que afirmou que Gio Garbelini teria chamado a zagueira rival Fatou Dembele de “negra” durante uma confusão entre as equipes aos 43 minutos do segundo tempo. O confronto ficou cinco minutos paralisado devido ao protocolo antirracismo.
Segundo o relatório da arbitragem, o caso aconteceu logo após a expulsão de Fatou, que empurrou Fiamma, meia do Atlético, por jogar a bola para fora depois da marcação de uma falta. A confusão generalizada aconteceu no meio do campo, com a brasileira Gio no meio.
A fala de Gio foi registrada na súmula da partida, assinada pela árbitra Olatz Rivera Olmedo. A juíza também afirma no documento que nenhum dos membros da arbitragem escutou a ofensa racista. Após o jogo, Fatou aguardou Gio Garbelini no túnel de acesso aos vestiários, onde aconteceu uma nova briga entre as equipes.
"A jogadora do Tenerife informou que a atleta do Atlético de Madrid se dirigiu à jogadora com o termo 'negra', que não pôde ser ouvido pela arbitragem", diz a súmula.
Veja a súmula da partida
Reprodução
Momento em que teria acontecido:
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Até o momento, Gio Garbelini, Fatou, CD Tenerife e o Atlético de Madrid não se manifestaram oficialmente sobre o caso.
O Atlético se classificou à final da Copa da Rainha com 2 a 0 no placar agregado. Na partida de ida, Gio Garbelini fez o gol da vitória para o time de Madri. A equipe aguarda o resultado de Barcelona x Levante Badalona para conhecer o adversário na decisão.
Quem é Gio Garbelini?
Nascida em São Paulo, Gio se mudou com a família para os Estados Unidos. Foi o início da trajetória dela, e do irmão, Andrézinho, no futebol. Treinando em escolinhas e em clubes pequenos, Gio chegou a jogar uma partida pela seleção sub-17 dos EUA, aos 15 anos, mas nunca teve dúvidas sobre quais cores queria vestir.
— Eu sou brasileira, minha família é brasileira. É um prazer enorme vestir a amarelinha e defender meu país. Eu também sou cidadã espanhola e só falo espanhol no clube, mas me sinto brasileira o tempo todo, dentro e fora de campo. A torcida foi primordial na minha escolha, e tive muita influência da Marta. Quando fui convocada pela primeira vez, ela estava na seleção, e eu sempre quis jogar ao lado dela — contou em uma entrevista à Fifa.
Gio Garbelini em treino da seleção brasileira
Lívia Villas Boas / CBF
Na adolescência, uma nova mudança: a família adotou a Espanha como casa, e Gio teve oportunidades mais expressivas. Ela ingressou na base do Atlético de Madrid, mas foi no Madrid CFF que teve sua primeira grande chance com 15 anos, quando foi alçada do time B ao profissional. Três anos depois, ao mesmo tempo em que acumulou as primeiras convocações na seleção brasileira principal, foi transferida para o Barcelona. A partir daí, um longo período turbulento marcou sua carreira.
Em maio de 2022, com apenas 18 anos, Gio tomou uma atitude corajosa. Sem espaço no Barcelona, ela havia sido emprestado para o Levante, e a distância permitiu que ela conseguisse relatar o pesadelo que estava vivendo. Em uma carta aberta publicada nas redes sociais, endereçada ao presidente do Barcelona, ela expôs situações de assédio moral e psicológico praticadas por um integrante da diretoria, como retaliação à sua escolha de defender a seleção brasileira.
Com a relação interna desgastada no Barcelona, Gio conseguiu a liberação do clube e o Arsenal comprou os direitos da brasileira. Ela foi emprestada e jogou uma temporada no Everton, mas foi de volta à Espanha, no Madrid CFF, que ela reencontrou seu bom futebol. Em agosto de 2024, acertou a transferência para o Atlético de Madrid e foi um dos destaques da campanha que terminou com o terceiro lugar da Liga F — em março, foi eleita a melhor jogadora da competição, uma das principais do mundo.
O bom desempenho no Atlético fez Gio voltar à seleção brasileira no período pós-Olímpico. E foi destaque do time brasileiro na Copa América de 2025, com um gol e três assistências na competição. Ela também foi eleita a melhor da partida contra a Venezuela na fase de grupos, onde deu os dois passes para os gols da vitória por 2 a 0.






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